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Conheça o trabalho de João Motta:

Obras 

I - O Tríptico

II -  Obras Devocionais

III - Peças Irónicas

IV - Peças soltas

V - A Identidade

VI - A Ilusão universal

VII - Peças de madeira

VIII - Histórias animadas

Exposições

​Filmes

Críticas de Arte 

Loja virtual

Biografia 

Série inédita de quatro pequenos poemas do artista e escritor, que tratam de temas  associados a esta obra, como o transgénero, a máscara, o duplo, a realidade virtual, o livre arbítrio, as marionetas, os espelhos e a ilusão.

 

VIDAS PARALELAS

1

Fui máscara quando elas eram prezadas. Em cortes de Java.

Dansei com outras máscaras, em cenários marcados.

Repetíamos os mesmos papeis

Fazíamos o que de nós se esperava.

 

Estou agora encerrada numa caixa redonda

Para nada sirvo e minha alma estiola.

 

Na mesma sonho, mas nada vejo.

 

Quando sair deste torpor, quando as tuas mãos me alcançarem,

Saberei viver aquilo a que não deste forma

 

Esqueceste-te de mim,

Mas sem mim não és nada

2

Andei por teatros longínquos, transportado em barcos que me davam tempo para preparar os papeis.

Chegava antes de tempo, com os teatros sempre vazios, palcos amordaçados.

Falei nos labirintos, mas a minha voz não atravessava os espelhos.

Eu era só uma máscara colada a uma marioneta. 

Ninguém estava habituado.

3

Neste cenário virtual que os humanos percorrem, sou secundário, personagem desencontrado.

O vazio é o mesmo, mas, neste lado do espelho, o meu mundo de marioneta é mais rico.

Tendo aberto mão do livre-arbítrio, encarno qualquer papel.

4

Tenho uma colecção de máscaras em cima do meu boudoir.

Outras fechadas em caixas, num armazém empoeirado.

Joguei escondido a máscara da infância, rápido demais a da idade madura, agora, nesta foto enrugada, passa lento o tempo daquilo que não foi encontrado.

 

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© 2023 por Sal & Pimenta. Orgulhosamente criado com Wix.com

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